segunda-feira, 22 de outubro de 2012
No hoje
"E tenho muito sono de manhã..." Pelos poros,
pelos dentes, pelos dedos, pelo meu sorriso no canto da boca (discretamente
escancarado) transborda tudo o que sou - amor! Somos feitos da mesma carne
enraizada e avoadeira... "Eu sou amor da cabeça aos pés!" (!) [...]
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Ignóbil âmago
Meu coração é grande e meu peito escancarado.
Há em mim um brio manchado, entrecortado de tanta vontade e
sina.
Em meu céu cabem muitos olhos, sorrisos, bocas, dentes,
mãos, dedos, pés, coxas, panturrilhas, quadris e línguas.
Mas não se enganem e nem se assustem, não me dou a nenhum
desses recortes passionais.
Gosto de ser assim: inteira, plena em todo o sangue que habita
minha carne.
É meu todo o meu sangue!
Eu pertenço a mim mesma e a toda liberdade que eu aguentar
carregar.
Minha bandeira é pesada, mas meu caminhar é leve já que sangro
meus sonhos todos os meses em perfeita comunhão de mim.
Eis que me contradigo fugazmente, pois em meio a tanta
anatomia e física quântica há aqueles a quem me empresto, me entrego como sou:
dual em conta-gotas.
Aqueles tem meu prazer instantâneo em vários tons de
violeta.
Eles tem meus segredos vermelhos, minha voz azulada, meus
desejos brancos.
Eles tem meu enredo alaranjado, meu clímax negro, minhas
reflexões amareladas, meus sorrisos no canto da boca cor de ameixa, meu pulsar
esverdeado, minha pele multicolor.
E, para além, eles – aqueles olhos pretos ensolarados – tem
nos lábios minhas lágrimas quentes e sem cor alguma... minha alma nua e sem cor
alguma... minha falta de pudor, meu infinito.
Aqueles olhos de sol...
Aqueles olhos pretos ensolarados tem meu pensamento diáfano,
translúcido, sujo de tão límpido e, ainda assim, permaneço minha - mais do que
nunca.
“Se você deixar o coração bater sem medo”
Acordei hoje como se toda a minha vida tivesse amanhecido...
Olhos abertos para o que vier!
Eu estou protegida com as vestes de meu pai, búzios, contas
e fios de prata.
Eu estou desarmada, flor de lótus brotando do barro,
girassol no rastro do sorriso, ventania em movimento, água corrente lavando os
rumos.
Os deuses, todos eles, moram no centro do meu peito
racional, em movimento eles gritam... O berro de luz ecoa em todo canto e em
todo cantar.
É a serenidade que irradia o arco-íris de minha voz, de meu prumo.
Eu não sei ser outra coisa senão arte, senão isso. Do
contrário, não vivo.
Na ponta da espada de meu rei eu danço com a vida, escancaro
minha ancestralidade.
Giro os dias sendo eternamente pé de vento na poeira da estrada.
Eu sou, eu sou, eu sou!
Eu sou a essência divina do eu sou!
Eu sonho, eu sonho, eu sonho!
E nada mais é preciso.
Eu agradeço...
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
"...Meu amor, tudo em volta está deserto! Tudo certo como dois e dois são cinco..."
Cada manhã uma melodia, uma poesia ou um
soluçar me ronda o peito... Meu esterno grita! Para se emocionar há que se
escancarar os anseios, os medos, vasculhar as entranhas!
*
Clareia e deixa clarear! Sigo fazendo o que
sinto, enloucrescendo!
Sigo fazendo o que sei: voo!!!
No gozo daqueles olhares que só se escutam pela
manhã me reconheço, redescubro...
Ouso mais um voo, mas creio que um dia vou
aprender a andar de bicicleta, a nadar e a tocar violão como nos arrebatavam
aqueles saxofonistas negros...
Devaneio...
Só sei ser pé de vento!
*
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Morada nova
Ao amigo-mestre Newton Baiandeira (06/01/1952 - 13/09/2012)
As noites brancas itabiranas ganham mais uma estrela enraizada...
A mim resta o olhar calado, engasgado, arrebatado.
Estamos todos por um fio, a um passo de novos rumos.
O poeta criou asas... E os galhos de cá (TODOS) já lhe são morada.
É hora de deixar soar sua história em outros mundos.
Ele se foi VIVO!
Vá em paz, meu amigo, que de cá cantaremos o bem que você plantou!
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Despertai
Algo diferente me tocou hoje.
Não sei se foi a mão de um Deus ou se ouvi o som da
felicidade que pulsa em mim desde intangíveis moradas de outrora...
Só sei que me senti tão plena, tão eu, que me conectei com o
todo!
Acho que meus anjos guardiães resolveram me dar um “acorda e
vai viver” ou algum ser desconhecido implantou em minhas retinas uma espécie de
modificador do olhar ou fui contemplada com a presença amiga de espíritos
protetores que me traziam a cura ou meus orixás me iluminaram e me trouxeram alimento para a sede de
guerrear em prol da justiceira verdade contida no bem ou foi um “tudo isso ao
mesmo tempo” que ao me cegar trouxe a visão derradeira e sincera... ou na
verdade fui eu mesma que divinamente me olhei no espelho e disse: Segue em
frente que o caminho certo só pode ser este.
Olhei em volta e vi que tudo é o que tem que ser! Eu estou no
momento certo, com as pessoas certas, no lugar certo... Eu me perdoo e perdoo e
peço perdão, eu amo e sou amada, eu doo e recebo e troco, eu sinto agora e
além, eu agradeço! Eu e o universo somos um só!
Tenho em mim um amor tão profundo que me desperta e me diz mais
a cada dia... Estou tão viva, ou melhor, simplesmente viva! Quantas vidas se
passaram para que minha alma conseguisse se entregar ao sol e se deixar
iluminar...?
Em um piscar, tudo se transformou! E agora, satisfeita em
ser feliz, eu canto e vejo. Por isso eu sou! Por isso faço da arte minha oração
mais autêntica.
Antes eu ouvia. Agora eu vejo. Ainda não sei.Tanto falta a caminhar...
Voos mais serenos virão!
De um faiscar surgiu uma luz que tomou conta de tudo que
havia aqui. Ao ver tanto não vi mais tanto nada.
(...)
Depois do muito amanheci... Humana, sangrando o aprendizado
em carne, osso e espírito!
Acordada, eu sigo tentando não me esquecer de relembrar... Pé
no vento, olhos no caminho do meio, mão na lida, voz e corpo serenos na missão!
E por isso eu sou!
quarta-feira, 16 de maio de 2012
ensolarada [à] vida
cada dia cresce mais em mim esse gosto bom que é ter o sol em minha vida,
comer o sol com suco de manga e abacate açucarado,
comer o sol com sorriso escancarado de olhar a lua,
comer o sol com cheiro de mato molhado de chuva,
comer o sol com pingos salgados de juba de leão molhando a pele negra,
comer o sol com alecrim, boldo e rosas brancas pra acreditar em mais um dia de sonhos possíveis,
comer o sol com gosto de barro, moldando a vida a cada brilho estampado na retina, a cada suspiro, a cada segundo iluminado que pulsa no crescer dos dias...
com amor.
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